A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) protocolou um pedido ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitando autorização para que o irmão Renato Bolsonaro (PL) visite o ex-presidente. Renato é candidato a deputado federal por São Paulo. O requerimento foi apresentado na última sexta-feira (5) e é considerado curto, sem detalhamento sobre a data ou o motivo específico do encontro.
Regras da prisão domiciliar
Bolsonaro cumpre prisão domiciliar desde março, após um episódio de broncopneumonia. Segundo as regras estabelecidas por Moraes, o ex-presidente pode receber livremente advogados, médicos, fisioterapeutas e os próprios filhos, com exceção do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que também é candidato a presidente.
Qualquer outra visita depende de autorização prévia do Supremo. As únicas pessoas dispensadas dessa exigência são a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, a filha Laura e a enteada Letícia, que residem na mesma casa que o ex-presidente.
Quem é Renato Bolsonaro
Renato Bolsonaro é empresário e ex-capitão do Exército. Nas redes sociais, costuma se apresentar como “irmão do eterno presidente Jair Bolsonaro”. A candidatura a deputado federal em 2026 será a sexta eleição da qual participa, sem nunca ter sido eleito. Em 2024, ele disputou a Prefeitura de Registro (SP) e terminou em segundo lugar, com 29,82% dos votos.
Contexto da pena e restrições
Jair Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. A execução da pena começou em novembro de 2025, inicialmente na sede da Polícia Civil Federal e, posteriormente, no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, na área conhecida como Papudinha, em Brasília.
Em julho, Moraes proibiu Flávio Bolsonaro de visitar o pai por 90 dias. A restrição foi imposta depois que o senador publicou conteúdo nas redes sociais que, segundo o ministro, desrespeitou a medida cautelar que impede Bolsonaro de utilizar redes sociais, inclusive por meio de terceiros. Flávio recorreu da decisão, mas a Procuradoria-Geral da República se manifestou favorável à manutenção da proibição.
Moraes também determinou a proibição de todas as visitas ao ex-presidente com finalidade político-eleitoral até o encerramento das eleições de 2026. O senador havia sido formalmente incluído como advogado de defesa do pai em março de 2026, o que lhe garantia acesso irrestrito ao ex-presidente antes da decisão do ministro que restringiu esse acesso.
Ainda não há posição do STF sobre o pedido de visita de Renato Bolsonaro. Caberá a Moraes avaliar o requerimento e decidir se autoriza o encontro entre os irmãos.