A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, na última terça-feira (8), o registro de um novo medicamento para prevenção de enxaqueca. O remédio, chamado Aquipta (atogepanto), é indicado para adultos que apresentam pelo menos quatro crises mensais da doença. A aprovação representa uma nova alternativa terapêutica para quem convive com episódios frequentes e incapacitantes.
O que é a enxaqueca e por que ela preocupa
A enxaqueca é considerada uma doença neurológica altamente incapacitante. Ela se manifesta por crises recorrentes de dor de cabeça, com intensidade que varia de moderada a grave, e costuma vir acompanhada de náuseas, vômitos e sensibilidade excessiva à luz e ao som. De acordo com dados citados pela própria Anvisa, cerca de 15% da população mundial convive com esse tipo de enxaqueca, o que reforça a relevância de novas opções de tratamento.
Por afetar diretamente a rotina de trabalho, estudos e convívio social, a condição é apontada como uma das principais causas de incapacidade entre doenças neurológicas. Ainda assim, muitas pessoas seguem sem acesso a tratamentos que atuem de forma específica sobre os mecanismos que desencadeiam as crises.
Como age o novo medicamento
Segundo a Anvisa, apesar de já existirem opções terapêuticas para a prevenção da enxaqueca, boa parte delas não age diretamente sobre os mecanismos fisiopatológicos da doença. O novo medicamento é apresentado pela agência como uma opção oral voltada tanto para a enxaqueca episódica quanto para a forma crônica.
O atogepanto atua bloqueando uma via relacionada à transmissão da dor e ao próprio processo que desencadeia as crises, funcionando como uma barreira preventiva antes que os sintomas se manifestem. Esse mecanismo diferencia o remédio de tratamentos que apenas amenizam a dor já instalada.
Resultados de estudos clínicos
Testes conduzidos durante o desenvolvimento do medicamento mostraram redução significativa no número de dias mensais de crise, quando comparado ao uso de placebo. Um dos estudos citados, o ADVANCE, publicado no New England Journal of Medicine, acompanhou 910 adultos que relatavam de quatro a 14 dias de enxaqueca por mês.
Entre os participantes que receberam a dose de 60 mg do medicamento, 60,8% apresentaram redução de pelo menos 50% no número de dias de enxaqueca. No grupo que recebeu placebo, esse percentual foi de 29%. Os números indicam um efeito consistente do tratamento sobre a frequência das crises.
O que muda para os pacientes
Com o registro aprovado, o medicamento passa a integrar o conjunto de opções disponíveis no país para tratamento preventivo da enxaqueca. A expectativa é de que a nova alternativa amplie o leque de escolhas para médicos e pacientes, especialmente para quem não obteve resultados satisfatórios com terapias anteriores.
A Anvisa não detalhou prazos para disponibilização comercial ampla do produto nem valores de venda. Questões relacionadas à saúde pública, como esta, costumam ter repercussão direta em cidades do Vale do Paraíba, onde a busca por tratamentos neurológicos também é frequente entre a população.