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Ministros aposentados cobram apuração rigorosa na crise no STF

crise no STF
Rosinei Coutinho/STF

Treze ex-ministros do STF enviaram carta ao presidente Edson Fachin cobrando apuração pública e rigorosa da atual crise no STF.

Uma carta assinada por treze ministros aposentados do Supremo Tribunal Federal (STF) pede ao presidente da Corte, Edson Fachin, a abertura de uma apuração “imediata e rigorosa” diante do que classificam como a “mais aguda crise” da história do tribunal. O documento, enviado na segunda-feira (7), reforça a preocupação com o desgaste institucional provocado pela sequência de episódios que têm exposto divergências internas entre os magistrados. A crise no STF ganhou força nas últimas semanas após a divulgação de mensagens ligadas a investigações sobre fraudes financeiras.

O que diz a carta dos ex-ministros

No texto, os signatários afirmam ter “absoluta convicção” de que Fachin convocará uma sessão pública para que o Pleno determine a apuração dos fatos que, segundo eles, comprometem “o prestígio e a autoridade” do tribunal, além da confiança da população e da estabilidade das instituições democráticas. Assinam o documento nomes como Néri da Silveira, Francisco Rezek, Sydney Sanches, Celso de Mello, Carlos Velloso, Ilmar Galvão, Nelson Jobim, Ellen Gracie, Cezar Peluso, Ayres Britto, Joaquim Barbosa, Eros Grau e Rosa Weber.

O ex-presidente da Corte Celso de Mello, um dos signatários, explicou que a carta não se refere a nenhum episódio específico. Segundo ele, a manifestação busca manter “equidistância” em relação aos diferentes casos que têm afetado a imagem da instituição nos últimos meses.

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Investigações sobre Vorcaro e mensagens com Moraes

Embora não cite nomes, a carta surge em meio ao aumento da tensão interna provocada pelas investigações envolvendo Daniel Vorcaro, fundador do Banco. Preso desde 2025, o ex-banqueiro é suspeito de fraudes financeiras bilionárias, lavagem de dinheiro, corrupção e vazamento de informações sigilosas.

Um documento pericial elaborado a partir do celular de Vorcaro detalhou contatos e mensagens envolvendo um número salvo como “Alexandre de Moraes BRASILIA”. Entre os diálogos periciados estariam pedidos do banqueiro para que o ministro atuasse junto ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, com o objetivo de conter o avanço das apurações sobre o Banco Master.

Na véspera de sua prisão, Vorcaro teria questionado o ministro sobre a possibilidade de ser detido, mas as respostas não puderam ser decifradas pelos peritos, já que foram enviadas por mensagens de visualização única.

Desdobramentos e tensão entre ministros

Na última semana, Alexandre de Moraes pediu a abertura de investigação contra outro colega da Corte por suposta usurpação da prerrogativa investigativa da Polícia Federal, além de possíveis crimes de responsabilidade, abuso de autoridade e improbidade administrativa. O caso chegou a ser incluído no inquérito das fake news, relatado pelo próprio Moraes, que apura ataques contra magistrados do tribunal.

Segundo a decisão do ministro, o episódio foi anexado ao mesmo procedimento aberto a partir do relatório da Polícia Federal sobre Vorcaro. Foi concedido prazo de cinco dias para manifestação do colega investigado, além de parecer da Procuradoria-Geral da República sobre o caso.

Para Celso de Mello, eventuais irregularidades cometidas por integrantes da Corte precisam ser apuradas sem que contaminem a imagem da instituição como um todo. “Nenhuma autoridade está acima da lei, nem pode invocar a dignidade do cargo para subtrair-se ao escrutínio público”, declarou o ex-ministro, acrescentando que o STF “não pode ser convertido em escudo protetor de desvios individuais”. O desfecho da carta e da própria crise no STF deve depender da resposta de Fachin nos próximos dias. Para acompanhar outros desdobramentos políticos, veja mais notícias em Brasil.