Os ataques houthis contra a Arábia Saudita deixaram pelo menos 73 pessoas feridas nesta terça-feira (8). O grupo, apoiado pelo Irã e atuante no Iêmen, realizou bombardeios que atingiram o sudoeste do território saudita, danificando instalações civis e econômicas, incluindo estruturas da petrolífera Aramco. O episódio marca mais um capítulo da escalada de tensões na região, que envolve diferentes atores no conflito iemenita.
Coalizão saudita condena ofensiva
Em comunicado oficial, a coalizão militar liderada pela Arábia Saudita, que apoia o governo reconhecido do Iêmen, classificou os ataques como uma “perigosa escalada” e acusou os houthis de manter uma “postura hostil e irresponsável”. A nota afirma que o grupo será responsabilizado e que medidas serão tomadas para neutralizar novas ameaças vindas da milícia.
O texto divulgado pela coalizão descreve os bombardeios como uma violação direta da soberania saudita, com risco à segurança de cidadãos e residentes do país. Segundo o comunicado, o Comando das Forças Conjuntas afirmou que adotará “todas as medidas operacionais necessárias” para conter futuras ações do grupo rebelde.
Combates se intensificam no Iêmen
Os ataques desta terça-feira ocorrem em um contexto de intensificação dos combates no Iêmen. Um dia antes, na segunda-feira (7), os próprios houthis acusaram a Arábia Saudita de realizar bombardeios em diferentes regiões do país. De acordo com a agência de notícias Saba, ligada aos rebeldes, um dos ataques teria atingido a prisão de Al Hazm, na província de Jawf, resultando na morte de 11 pessoas.
O conflito no Iêmen voltou a ganhar intensidade em julho, quando uma nova frente de combates se abriu no país. Os houthis vêm disputando o controle de áreas estratégicas no sudoeste, próximas ao Estreito de Bab el-Mandeb — passagem que liga o Golfo de Áden ao Mar Vermelho e integra a rota naval até o Canal de Suez.
Disputa geopolítica envolve rotas marítimas
O grupo já declarou publicamente a intenção de fechar essa via estratégica em um gesto de solidariedade ao Irã, que busca pressionar Washington com ameaças de bloqueio ao Estreito de Ormuz. Essa rota é responsável por cerca de 20% do transporte mundial de petróleo, o que amplia a relevância geopolítica do confronto entre houthis e a coalizão saudita.
A escalada no Iêmen reforça as tensões mais amplas no Oriente Médio, com desdobramentos que podem afetar o comércio internacional de energia. Casos como este integram o noticiário de Mundo acompanhado pelo Vale em Pauta, que segue monitorando os principais desenvolvimentos internacionais com potencial impacto econômico e diplomático.