A Polícia Civil cumpriu nesta sexta-feira (09/10) um mandado de busca e apreensão contra um centro automotivo de Caraguatatuba investigado por suspeita de golpe contra clientes. A ação ocorreu em um estabelecimento da Avenida Rio Branco, no bairro Indaiá, e integra um inquérito aberto após denúncias de estelionato e de crimes contra as relações de consumo. Documentos, notas fiscais e um computador foram apreendidos para análise. Segundo a corporação, os prejuízos já confirmados ultrapassam R$ 57 mil.
A investigação é conduzida pela Delegacia Sede de Caraguatatuba e faz parte do inquérito identificado como PF5860/26. Além da apreensão de materiais, a polícia pediu à Justiça a suspensão das atividades da empresa, o bloqueio de valores e a restrição de veículos dos investigados, como forma de garantir eventual ressarcimento às vítimas.
Como começou a apuração do golpe no centro automotivo
De acordo com a Polícia Civil, a apuração começou depois que consumidores procuraram a delegacia relatando fatos ocorridos entre maio e setembro de 2026. As vítimas moram em Caraguatatuba, Ilhabela, São Sebastião e na capital paulista. Mesmo sem se conhecerem e tendo procurado o estabelecimento em datas diferentes, os relatos apresentam características semelhantes, segundo a corporação.
A investigação também aponta que o suposto método usado pelo estabelecimento teria continuado mesmo após uma mudança no nome comercial da empresa, ocorrida em julho. Durante a ação desta sexta-feira, os policiais recolheram documentos, notas fiscais e um computador no endereço da Avenida Rio Branco, 623. O material será analisado para identificar contratos, valores cobrados, serviços registrados e a participação de cada pessoa citada no inquérito. Não há informação sobre prisões até o momento.
Padrão de cobranças muito acima do serviço contratado
Segundo a Polícia Civil, o padrão identificado nos relatos começa com a procura por um serviço simples, como troca de pneus, alinhamento ou reparo de coifa, muitas vezes em promoção. Depois da entrada do veículo na oficina, o cliente era orientado a aguardar ou deixar o local, e em seguida recebia um diagnóstico de problemas mais graves, geralmente relacionados ao câmbio ou à suspensão, com alerta sobre risco de travamento do carro.
Um dos casos citados pela investigação mostra a disparidade entre o valor inicial e a cobrança final: um orçamento de R$ 399 para troca de pneu teria resultado em uma cobrança de aproximadamente R$ 22 mil, mais de 55 vezes o valor combinado. Outras vítimas relataram situações semelhantes, com cobranças muito acima do serviço que motivou a procura pela oficina.
Retenção de veículos e problemas com notas fiscais
A apuração também investiga relatos de pressão para pagamento imediato, com casos em que o veículo ou a chave ficavam retidos até a quitação dos valores exigidos. Entre as formas de pagamento mencionadas pelas vítimas estão parcelamento no cartão e até contratação de empréstimo. A polícia apura ainda se ordens de serviço eram apresentadas somente depois da execução dos procedimentos.
Outro ponto do inquérito envolve a documentação fiscal, com relatos de recusa na emissão de nota ou de documentos com valores menores do que o efetivamente pago. As notas fiscais apreendidas poderão ser comparadas a comprovantes de pagamento e depoimentos para ajudar a reconstituir o fluxo financeiro do estabelecimento.
Pedidos à Justiça e crimes investigados
Além do mandado cumprido, a Polícia Civil solicitou à Justiça a suspensão das atividades comerciais do centro automotivo, o bloqueio de valores e a restrição de veículos dos investigados, medidas que ainda dependem de decisão judicial. Também foi pedido acesso a dados telefônicos e bancários para ajudar a identificar outras possíveis vítimas.
Em tese, a investigação cita estelionato, previsto no artigo 171 do Código Penal, além de possíveis crimes contra as relações de consumo, ameaça e associação criminosa. O enquadramento é preliminar e ainda depende da individualização das condutas de cada investigado. A Polícia Civil não divulgou a versão dos responsáveis pelo estabelecimento sobre as acusações.
Caso semelhante já havia ocorrido em São José dos Campos
A operação em Caraguatatuba ocorre cerca de um ano depois de outra investigação envolvendo uma loja de mesmo nome em São José dos Campos. Em outubro de 2025, um gerente e um vendedor foram presos após denúncias semelhantes de consumidores. A Polícia Civil não confirmou se há ligação entre os dois inquéritos, e a comparação serve apenas como contexto de um caso anterior.
A corporação orienta outras possíveis vítimas a procurarem a Delegacia Sede de Caraguatatuba, na Avenida Maranhão, 341, no Jardim Primavera, levando ordens de serviço, notas fiscais, comprovantes de pagamento e mensagens relacionadas ao atendimento. Denúncias também podem ser feitas de forma anônima pelo Disque-Denúncia 181.